Sobre o que escrever nesta noite?
Poderia falar sobre um povo que não reconhece seu governante ou sobre o governante que não reconhece seu povo. Talvez sobre um escritor que nega uma paciência ou a paciência que se nega chegar ao escritor. Melhor seria sobre um líder não descobrir seu destino, ou o destino não chegar para um líder. Certo mesmo seria dizer que tudo o que acontece tem sua razão, mesmo sendo um escândalo, mesmo sendo pequeno, mesmo sendo obscuro, mesmo sendo desfavorável.
Nos últimos dias, aliás, nos últimos meses comecei a fazer parte da classe discente deste país. Lesionei para um grupo de homens, mulheres, jovens, velhos, que me fizeram entender como é bom reconhecer e até mesmo aceitar uma vocação que se fez ausente e surgiu no momento certo. Tornei-me um professor de mão cheia. Mas já acabou. Ufa. Essa foi uma vocação divertida de descobrir e facilmente negada, pelo menos por enquanto. Escravo não!
Bom, na realidade todo este antagonismo, essas palavras e predicados sem enredo algum (até o momento) é só para lembrar, ou talvez tentar fazer alguma analogia para descrever esse dia a dia chato e nostálgico que não canso de viver e amar.
Esta noite precisei largar minha preciosa programação do paperview para assistir os comerciais da novela das nove na rede do Jornal Nacional. É que a minha cidade ia aparecer na TV. Melhor, pedaços dela apareceram na TV. Buracos, pedras, areia, terra, cimento. Na realidade um quebra-cabeça em trinta segundos que somente pareceu fazer sentido ao seu final mesmo. Não dava pata tentar adivinhar. Como um quebra cabeças, mas só tive 2 segundos para enxergá-lo pronto. Uma colcha de retalhos de milhares de reais tirados dos bolsos de quem? Bom, fazer o que?! Ainda bem que quem pagou não fui eu. Afinal o dinheiro tem muitos donos e uma hora eles podem por o nome de quem gastou no SPC de algum jeito.
O pior não é ver esse desperdício. O pior é ouvir elogios. Eu ouvir elogios de quem deveria criticar. O pior é agüentar quem não consegue se agüentar. É eu ter que ficar em silêncio porque neguei a paciência. Ou será que a paciência que se negou a chegar. O fato que a culpa de tudo é sempre dos mesmos culpados. São sempre as mesmas pessoas que não se movem e escutam tudo, esperando o profeta descer e vir salvá-las. É o velho lugar comum, o mesmo clichê nostálgico do dia a dia nostálgico que fazemos questão de viver pela falta de ousadia.
É. Essa nostalgia que não sai de mim. Amanha vai ser tudo igual outra vez.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
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